Solidariedade marca Dia Nacional de Luta dos Trabalhadores dos Correios em greve

Publicado: 13/09/2020 | 18:30


Para trabalhadores, o apoio e a ajuda de outras categorias foram muito importantes para seguir greve, que já dura 25 dias. Atos acontecem no mesmo dia da terceira tentativa de conciliação no TST.

A luta dos trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT)  ganhou um elemento de força nesta sexta-feira (11), no Ato Nacional em defesa dos direitos da categoria e contra a privatização da estatal: a solidariedade.

Além de representantes de 25 dos 31 sindicatos filiados à Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos (Fentect-CUT), trabalhadores de diversas categorias engrossaram o caldo da luta e se solidarizaram com a mobilização em apoio à greve dos ECTistas, que já está no seu 25º dia.

O Ato Nacional dos Trabalhadores dos Correios faz parte do Calendário de Lutas, que começou ainda no dia 3, com um ato Nacional Unitário em Defesa dos Serviços Públicos. E acontece no mesmo dia em que ocorre mais uma tentativa de acordo numa reunião de conciliação entre Correios e Fentect no Tribunal Superior do Trabalho (TST), convocada pela relatora, ministra Kátia Arruda.

Negociação só com direitos mantidos

A negociação é impossível, avalia a categoria. De acordo com o secretário de Comunicação da Fentect-CUT, Emerson Marinho, a postura da empresa continua ser a de manter a retirada de direitos e o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL), e o ministro da Economia, Paulo Guedes mandaram encerrarar um Acordo Coletivo antes da sua vigência.  Marinho ainda ressalta que a categoria só reivindica que os direitos sejam mantidos.

“Não temos expectativas devido a postura da empresa desde o início da campanha salarial. Quem nos trouxe para esta confusão no meio de uma pandemia foram o governo e o presidente dos Correios [general Floriano Peixoto] rasgando nosso Acordo Coletivo antes do fim de sua vigência”.

“Já tivemos duas audiências chamadas pelo TST e a empresa só fortalece sua decisão de tirar nossos direitos e acabar com a empresa para vendê-la. A reunião será feita para cumprir o artigo 860 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) em que pode tentar resolver a negociação. A gente sabe que este caso irá para a audiência do Dissídio Coletivo no próximo dia 21”, afirmou.

Com dezenas de pessoas vestidas com camisetas amarelas e com o uniforme dos Correios, várias faixas e cruzes espalhadas em frente, à sede dos Correios ficou pequena.

“O dia de hoje foi muito importante para nós trabalhadores dos Correios, porque foi um dia em defesa da empresa público, que é tão importante para a população, e também de apoio e solidariedade à nossa greve, que passa por um momento de reafirmação e resistência. Já são 25 dias de paralisação e os trabalhadores estão determinados em ir até o fim pela manutenção e restabelecimento dos nossos direitos”, afirmou emocionada a secretária da Mulher da Fentect e dirigente da CUT Nacional, Amanda Gomes Corsino.

A dirigente, que também é presidenta do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos do Distrito Federal e Região do Entorno (Sintect-DF), agradeceu a todas as entidades e pessoas que apoiaram a greve. “Vamos seguir firmes com a nossa luta que é justa, por direitos, empregos, contra a privatização e pelas vidas”, afirmlou.

A CUT-DF também lançou uma campanha de solidariedade em que tudo que for arrecadado será revertido em compras de cestas básicas para os grevistas. [saiba mais abaixo]