Federação dos Funcionários Públicos Municipais do Estado de São Paulo
Notícia

Municipais de SP lutam contra reforma previdenciária do prefeito Ricardo Nunes

Em greve desde 15 de outubro, servidores protestam contra a aprovação de PL que aumenta alíquotas previdenciárias para 14%, congela benefícios de aposentados e acaba com caráter solidário da previdência

Em greve desde 15 de outubro, servidores protestam contra a aprovação de PL que aumenta alíquotas previdenciárias para 14%, congela benefícios de aposentados e acaba com caráter solidário da previdência.

Servidores públicos municipais de São Paulo travam uma batalha contra o Sampaprev 2, projeto de reforma previdenciária (Projeto de Lei Orgânica – PLO 07) do prefeito Ricardo Nunes (MDB), que aumenta a alíquota de contribuição para 14% em todas as faixas salariais tanto para trabalhadores e trabalhadoras da ativa como para quem já se aposentou.

O projeto foi aprovado no dia 14 de outubro, em primeiro turno na Câmara Municipal de São Paulo, por 37 votos favoráveis e 18 contrários. Em resposta a essa aprovação, servidores decidiram entrar em greve. O movimento começou no dia 15 de outubro, com os profissionais da educação e no dia 19 ganhou adesão das demais categorias.

O movimento é liderado por entidades como o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de SP (Sindsep-SP), ligado à CUT. A luta para barrar o projeto, além da greve e protestos, passa também por pressão a vereadores, para que votem contra a proposta no segundo turno.

Mas há também uma outra alternativa. Vereadores da oposição tentam anular os votos de colegas que, em tese, não estariam aptos a votar no dia 14.

“Dois vereadores estavam em Dubai quando votaram. Eles viajaram sem pedir licença da Câmara e se derrubarmos ao menos um desses votos, o placar já se torna uma vitória para nós”, diz João Batista Gomes, diretor executivos da CUT e secretário de Comunicação do Sindsep.

Os 37 votos obtidos eram o mínimo necessário para a aprovação. Portanto, anulando os votos dos ‘viajantes’ – o vereador Atílio Francisco (Republicanos) e Rodrigo Goulart (PSD) – o projeto não pode ser considerado aprovado.

Goulart foi aos Emirados Árabes participar da ExpoDubai e Francisco, segundo informações obtidas pelo sindicato, foi apenas “viajar”.

“É uma vergonha”, diz João Batista Gomes. “Enquanto isso acontece, o funcionário público do município vê a ameaça de seu salário ser assaltado pelo prefeito, com aval desses vereadores”, ele critica.

Paralisação

Quem passa pela Rua Maria Paula, no centro da capital paulista, desde o dia 15 de outubro vê as barracas do acampamento que vem sendo realizado desde então como forma de protesto contra a reforma. Setores como saúde e educação estão paralisando atividades, especialmente nos dias em que os protestos são feitos em frente à Câmara Municipal

A greve acontece também na assistência social, cultura, serviços gerais e outros setores que, de acordo com João Batista, fazem paralisações diárias. Para a próxima quarta-feira (10), está marcada uma nova assembleia para definir os rumos do movimento. A votação do PLO 07 em segundo turno também pode ser pautada para este dia. Para o dia 11 também estão marcados atos no local.

De acordo com a estimativa dos dirigentes do Sindsep e de outros sindicatos setoriais como o Sinesp e Sinpeem (educação), a assembleia deve decidir pela manutenção da greve.

O ataque do Sampaprev 2

O dirigente ressalta os prejuízos aos aposentados, que além de ficar sem reajustes, terão parte de seus rendimentos confiscados. A maioria desses servidores tem faixa salarial entre um e dois salários mínimos, ou seja, ganham até R$ 2.220. De acordo com as faixas de desconto, e levando em consideração um salário de R$ 1.750, eles passariam de isentos a uma contribuição mensal de R$ 91.

“Por ano, é um salário mínimo que o aposentado deixa de receber. Com a situação econômica que vivemos, isso faz muita diferença no orçamento”, diz João Batista.

SINDSEP-SP [Sindsep-SP]

De acordo como presidente do Sindsep, Sérgio Antiquera, o projeto é um roubo “já que o dinheiro confiscado será gerido por bancos e, o aposentado que precisa deste dinheiro, terá que pedir empréstimos a este mesmo banco, com os maiores juros do mundo. Confisca dos aposentados e dá o dinheiro aos bancos lucrarem.

Além disso, para todos os trabalhadores da ativa, não haverá uma regra de transição, o que dificulta a aposentadoria.

Outro ponto criticado pelos sindicalistas é que o projeto acaba com o caráter solidário, já que os fundos de novos e antigos servidores serão distintos. Ou seja, os novos servidores não contribuirão para a manutenção dos fundos dos mais ‘velhos de casa’.

Para a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Juneia Batista, que também é servidora pública do municipio de SP, Ricardo Nunes começa sua gestão ‘já querendo ser odiado pelos servidores’

Responsável pela autoria do projeto, o prefeito chegou a afirmar que a culpa do déficit da Sampaprev é dos funcionários públicos que não contribuem para o caixa. Mas Juneia rebate.

“Na verdade é a contratação por terceirizações, sem concurso que esvaziam o caixa desse instituto que nos anos 80 chegou a emprestar dinheiro para outras instituições e financiou programas sociais”, diz a dirigente que pontua: “Parece esse cara quer que continue assim – com caixa vazio”.

Juneia ainda reforeça a convocação a todos os servidores e servidoras para a mobilização dos dias 10 e 11 em frente à Câmara Municipal de São Paulo. 

Os interesses

Após a primeira votação, o projeto seguiu para uma Comissão de Estudos. “Essa comissão é viciada”, diz João Batista Gomes ao apontar sua composição.

“O presidente é Rubinho Nunes, que faz parte do MBL [Movimento Brasil Livre, liberal e conservador]. Ele chama servidor público de privilegiado. Outra integrante é a Janaina Lima do Novo, além de mais dois outros governistas. Um deles é o Fernando Holiday, também do MBL e João Jorge, do PSDB”, diz o dirigente.

Nesta comissão, do campo progressista e que, portanto, defende os interesses dos trabalhadores, estão a vereadora Juliana Cardoso (PT) e Elaine do Quilombo Periférico (Psol).

Sobre a pressão aos vereadores, o dirigente do Sindsep aponta que o prefeito contra-ataca com verbas parlamentares. “Ninguém deles quer perder a boquinha”, diz João Batista Gomes.