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Bancada da saúde não aceita vincular aprovação de recursos à criação de um novo imposto

Márcio Falcão Jornal do Brasil Os líderes governistas decidem, hoje, se insistem na criação de um novo imposto nos moldes da extinta Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A proposta que mais ganha força é alterar o Projeto de Lei Complementar 306/99 que regulamenta a Emenda 29, fixando o repasse da União, Estados e municípios para a saúde. A idéia é emplacar um substitutivo ao texto instituindo uma contribuição sobre movimentação financeira, dessa vez com caráter permanente e alíquota de 0,1%. A verba seria destinada totalmente para a saúde e financiaria a emenda, que garante R$ 23 bilhões a mais para o setor até 2011. Para evitar um desgaste político, os governistas não devem escolher um parlamentar para assinar o substitutivo, mas sim apresentar o texto como de autoria dos líderes. No encontro de hoje, os governistas também vão decidir se alteram o cronograma de votação e antecipam a análise da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que muda a tramitação das medidas provisórias. Sem consenso A PEC também não conta com consenso sobre a edição de créditos extraordinários, mas no entendimento de alguns governistas, esticar a análise desta matéria pode dar tempo ao governo para analisar as melhores saídas para a recriação da CPMF. Apesar de anunciar que a medida é fruto de um acordo dos partidos da base, os governistas sabem que não há como garantir unidade durante a votação em plenário. Ontem, o governo perdeu um apoio significativo na ofensiva pela volta da CPMF. A Frente Parlamentar da Saúde da Câmara, formada por 243 deputados, diz que não aceita vincular a criação de um novo tributo com a Emenda 29. – A posição da frente é que não queremos vincular a Emenda 29 a nenhum tipo de novo imposto – argumentou o presidente da Frente da Saúde, deputado Rafael Guerra (PSDB-MG). Deve ser uma decisão paralela, não uma condição para se votar a Emenda 29. Nós (frente parlamentar) não vamos defender essa proposta. Argumentos O Palácio do Planalto insiste que não há condições de aprovar a emenda porque não existe previsão de fonte orçamentária para custear a proposta, que estabelece 10% da receita corrente bruta da União para a saúde e neste ano representaria um acréscimo de R$ 10 bilhões no orçamento da área. Segundo Guerra, a receita é o que está na emenda, 10 % da receita bruta, como consta do projeto aprovado pelo Senado. Na avaliação da bancada da saúde, a falta de recursos não pode fazer parte dos argumentos do governo. O deputado Darcísio Perondi (PMDB- RS), integrante da Frente da Saúde, lembra que neste ano o governo vai arrecadar mais do que perdeu com a CPMF por causa do excesso de arrecadação. O peemedebista diz ainda que o governo fez desonerações de R$ 21 bilhões na política industrial e criou um fundo soberano, portanto, há dinheiro em caixa. – O governo precisa mostrar que leva a saúde a sério. Este é o momento para isso - disse Perondi. O líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE), rebate os oposicionistas. – A saúde não pode depender da variação da arrecadação. Alguém quer que o Brasil não faça os investimentos do PAC? É preciso ter uma fonte segura para a saúde – defendeu o petista. Para evitar a ampliação dos investimentos em saúde, a oposição diz que o governo está investindo pesado nos bastidores. Na análise da proposta na Comissão de Seguridade Social da Câmara, na semana passada, petistas teriam tentado evitar a votação, colocando assessores na porta da comissão para evitar que governistas dessem quorum para a sessão. Na avaliação dos oposicionistas, a estratégia do governo é arriscada e pode ser derrubada em plenário. – Estamos dispostos a aprovar a emenda, mas contra qualquer medida que signifique aumento de imposto. Ainda mais não tendo sido discutido antes - explica o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ).

Márcio Falcão
Jornal do Brasil

Os líderes governistas decidem, hoje, se insistem na criação de um novo imposto nos moldes da extinta Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A proposta que mais ganha força é alterar o Projeto de Lei Complementar 306/99 que regulamenta a Emenda 29, fixando o repasse da União, Estados e municípios para a saúde.

A idéia é emplacar um substitutivo ao texto instituindo uma contribuição sobre movimentação financeira, dessa vez com caráter permanente e alíquota de 0,1%. A verba seria destinada totalmente para a saúde e financiaria a emenda, que garante R$ 23 bilhões a mais para o setor até 2011.

Para evitar um desgaste político, os governistas não devem escolher um parlamentar para assinar o substitutivo, mas sim apresentar o texto como de autoria dos líderes. No encontro de hoje, os governistas também vão decidir se alteram o cronograma de votação e antecipam a análise da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que muda a tramitação das medidas provisórias.

Sem consenso

A PEC também não conta com consenso sobre a edição de créditos extraordinários, mas no entendimento de alguns governistas, esticar a análise desta matéria pode dar tempo ao governo para analisar as melhores saídas para a recriação da CPMF. Apesar de anunciar que a medida é fruto de um acordo dos partidos da base, os governistas sabem que não há como garantir unidade durante a votação em plenário.

Ontem, o governo perdeu um apoio significativo na ofensiva pela volta da CPMF. A Frente Parlamentar da Saúde da Câmara, formada por 243 deputados, diz que não aceita vincular a criação de um novo tributo com a Emenda 29.

– A posição da frente é que não queremos vincular a Emenda 29 a nenhum tipo de novo imposto – argumentou o presidente da Frente da Saúde, deputado Rafael Guerra (PSDB-MG). Deve ser uma decisão paralela, não uma condição para se votar a Emenda 29. Nós (frente parlamentar) não vamos defender essa proposta.

Argumentos

O Palácio do Planalto insiste que não há condições de aprovar a emenda porque não existe previsão de fonte orçamentária para custear a proposta, que estabelece 10% da receita corrente bruta da União para a saúde e neste ano representaria um acréscimo de R$ 10 bilhões no orçamento da área.

Segundo Guerra, a receita é o que está na emenda, 10 % da receita bruta, como consta do projeto aprovado pelo Senado. Na avaliação da bancada da saúde, a falta de recursos não pode fazer parte dos argumentos do governo. O deputado Darcísio Perondi (PMDB- RS), integrante da Frente da Saúde, lembra que neste ano o governo vai arrecadar mais do que perdeu com a CPMF por causa do excesso de arrecadação. O peemedebista diz ainda que o governo fez desonerações de R$ 21 bilhões na política industrial e criou um fundo soberano, portanto, há dinheiro em caixa.

– O governo precisa mostrar que leva a saúde a sério. Este é o momento para isso - disse Perondi.

O líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE), rebate os oposicionistas.

– A saúde não pode depender da variação da arrecadação. Alguém quer que o Brasil não faça os investimentos do PAC? É preciso ter uma fonte segura para a saúde – defendeu o petista.

Para evitar a ampliação dos investimentos em saúde, a oposição diz que o governo está investindo pesado nos bastidores. Na análise da proposta na Comissão de Seguridade Social da Câmara, na semana passada, petistas teriam tentado evitar a votação, colocando assessores na porta da comissão para evitar que governistas dessem quorum para a sessão.

Na avaliação dos oposicionistas, a estratégia do governo é arriscada e pode ser derrubada em plenário.

– Estamos dispostos a aprovar a emenda, mas contra qualquer medida que signifique aumento de imposto. Ainda mais não tendo sido discutido antes - explica o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ).