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Inocêncio e Moraes batem boca por Paulinho

Tiago Pariz Correio Braziliense Termo “imediatamente” vira centro de discussão no plenário e serve de base para pedido de abertura de procedimento disciplinar Moraes (e): “Imediatamente é depois de eu analisar os documentos” Após discutir com Inocêncio (e), Moraes cumprimentou Chinaglia (d) Para desfazer mal-estar, presidente do Conselho falou com Inocêncio Com a benção de Chinaglia, Moraes ganhou um sorriso do corregedor O processo contra o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) nem começou a tramitar no Conselho de Ética e já é alvo de polêmica e bate-boca. O corregedor da Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE), protocolou ontem pedido de abertura de procedimento disciplinar contra o presidente do órgão colegiado, Sérgio Moraes (PTB-RS). Defensor da cassação do deputado do PDT de São Paulo, Inocêncio afirmou que Moraes atropelou a norma interna, que prevê o seguinte: “A representação encaminhada pela Mesa será recebida pelo Conselho, cujo presidente instaurará imediatamente o processo”. O novo presidente do colegiado disse que teria até 15 dias para analisar o processo e indicar um relator antes de instalar o procedimento. A discussão no plenário entre os dois, apesar de ter sido acalorada, tornou-se uma disputa semântica. “Imediatamente não significa adiar, instaurar daqui a 15 dias”, disse Inocêncio Oliveira. Na representação, o corregedor coloca quatro significados para o “verbete” imediato: 1) Que não tem nada de permeio; próximo. 2) Rápido, instantâneo. 3) Que (se) segue; seguinte. 4) Sem detença; imediatamente. O presidente do Conselho, eleito na última quarta-feira, tentou contemporizar e deu seu significado: “O que é imediatamente? Para mim, é depois de eu analisar os documentos, indicar um relator”, refletiu Sérgio Moraes. Documentos O petebista disse estar sendo alvo de uma “brutal injustiça”. Segundo ele, o Conselho recebeu mais de 300 páginas de documentos da corregedoria. “Pedi até 15 dias. Sou um homem sério, cauteloso, não vou trabalhar no canetaço, na ditadura”, disse o novo presidente do Conselho de Ética da tribuna da Câmara. Depois, mais calmo, prometeu discutir a instauração do processo na terça-feira da semana que vem. “Se houver consenso, eu já nomeio um relator e damos seqüência à representação”, afirmou Moraes. O corregedor, no entanto, não se contentou com o prazo e afirmou que terça-feira é tarde demais. “Estamos sendo atropelados pelos fatos, o procurador-geral da República pediu para o Supremo Tribunal Federal instaurar um inquérito contra o Paulinho. O Conselho de Ética já deveria ter instaurado esse processo”, reforçou Inocêncio Oliveira. Acordo Os conselheiros concordam com a postura de Sérgio Moraes. “Queremos a agilidade necessária ao processo sem atropelo”, disse o deputado Leonardo Monteiro (PT-MG). Enquanto Paulinho não for notificado, ele ainda pode renunciar ao mandato para preservar os direitos políticos. O deputado descartou essa hipótese e sublinhou que enfrentará “de peito aberto” o processo. Monteiro rejeita a tese de acordo. “O processo, quanto mais demorado, é ruim para o Paulinho”, disse. O deputado Paulo Piau, cotado para ser o relator do processo contra o pedetista, também é partidário da tese de que adiar a instalação do processo trará desgaste ao Conselho de Ética. “Há um exagero das duas partes. Não precisa ser nem o que o Sérgio defende, nem o que o corregedor quer. Podemos achar um meio-termo. Acho que terça-feira é o dia ideal. Não vamos acelerar desnecessariamente”, sustenta. Piau surge como candidato à relatoria do caso Paulinho numa forma de ser compensado pelo acordo na eleição de Sérgio Moraes. O deputado do PMDB mineiro almejou a disputa do colegiado, mas preferiu desistir da contenda para favorecer o colega petebista. O pedido de Inocêncio foi encaminhado pelo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), para ser analisado pelo primeiro vice-presidente da Casa, Nárcio Rodrigues (PSDB-MG). Inocêncio afirma que Moraes infringiu legislação Supremo abre inquérito O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu ontem inquérito contra o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical. Segundo informou a agência de notícias Globo, o pedido de investigação foi feito pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, a partir da apuração da Polícia Federal e do Ministério Público em São Paulo na Operação Santa Tereza. Paulinho é acusado pela polícia e pelo Ministério Público de receber propina na intermediação para liberação de empréstimos do BNDES a empresas e prefeituras em São Paulo. O inquérito será relatado pela ministra Ellen Gracie, que decidirá se aprova ou não as diligências já pedidas por Antonio Fernando para aprofundar as investigações. Em casos como esse, o procurador-geral costuma pedir a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos acusados. O acesso às contas é considerado um mecanismo imprescindível para se checar indícios de recebimento de dinheiro de origem ilegal. Mas, como o caso tramita em segredo de Justiça, a procuradoria e o STF não revelam o conteúdo das decisões judiciais. Antonio Fernando fez o pedido de abertura de inquérito ao STF na quarta-feira, cinco dias após receber do Ministério Público de São Paulo um CD com um relatório de duas mil páginas sobre a Operação Santa Teresa, da PF. O procurador analisou os documentos e formalizou o pedido de investigação em tempo recorde, para ganhar tempo diante dos rumores de que Paulinho poderia renunciar ao mandato para escapar de um processo de cassação na Câmara.

Tiago Pariz
Correio Braziliense

Termo “imediatamente” vira centro de discussão no plenário e serve de base para pedido de abertura de procedimento disciplinar
 
 
Moraes (e): “Imediatamente é depois de eu analisar os documentos”
 
Após discutir com Inocêncio (e), Moraes cumprimentou Chinaglia (d)
 
Para desfazer mal-estar, presidente do Conselho falou com Inocêncio
 
Com a benção de Chinaglia, Moraes ganhou um sorriso do corregedor
 
O processo contra o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) nem começou a tramitar no Conselho de Ética e já é alvo de polêmica e bate-boca. O corregedor da Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE), protocolou ontem pedido de abertura de procedimento disciplinar contra o presidente do órgão colegiado, Sérgio Moraes (PTB-RS).

Defensor da cassação do deputado do PDT de São Paulo, Inocêncio afirmou que Moraes atropelou a norma interna, que prevê o seguinte: “A representação encaminhada pela Mesa será recebida pelo Conselho, cujo presidente instaurará imediatamente o processo”. O novo presidente do colegiado disse que teria até 15 dias para analisar o processo e indicar um relator antes de instalar o procedimento.

A discussão no plenário entre os dois, apesar de ter sido acalorada, tornou-se uma disputa semântica. “Imediatamente não significa adiar, instaurar daqui a 15 dias”, disse Inocêncio Oliveira. Na representação, o corregedor coloca quatro significados para o “verbete” imediato: 1) Que não tem nada de permeio; próximo. 2) Rápido, instantâneo. 3) Que (se) segue; seguinte. 4) Sem detença; imediatamente.

O presidente do Conselho, eleito na última quarta-feira, tentou contemporizar e deu seu significado: “O que é imediatamente? Para mim, é depois de eu analisar os documentos, indicar um relator”, refletiu Sérgio Moraes.

Documentos
O petebista disse estar sendo alvo de uma “brutal injustiça”. Segundo ele, o Conselho recebeu mais de 300 páginas de documentos da corregedoria. “Pedi até 15 dias. Sou um homem sério, cauteloso, não vou trabalhar no canetaço, na ditadura”, disse o novo presidente do Conselho de Ética da tribuna da Câmara. Depois, mais calmo, prometeu discutir a instauração do processo na terça-feira da semana que vem. “Se houver consenso, eu já nomeio um relator e damos seqüência à representação”, afirmou Moraes.

O corregedor, no entanto, não se contentou com o prazo e afirmou que terça-feira é tarde demais. “Estamos sendo atropelados pelos fatos, o procurador-geral da República pediu para o Supremo Tribunal Federal instaurar um inquérito contra o Paulinho. O Conselho de Ética já deveria ter instaurado esse processo”, reforçou Inocêncio Oliveira.

Acordo
Os conselheiros concordam com a postura de Sérgio Moraes. “Queremos a agilidade necessária ao processo sem atropelo”, disse o deputado Leonardo Monteiro (PT-MG). Enquanto Paulinho não for notificado, ele ainda pode renunciar ao mandato para preservar os direitos políticos. O deputado descartou essa hipótese e sublinhou que enfrentará “de peito aberto” o processo. Monteiro rejeita a tese de acordo. “O processo, quanto mais demorado, é ruim para o Paulinho”, disse.

O deputado Paulo Piau, cotado para ser o relator do processo contra o pedetista, também é partidário da tese de que adiar a instalação do processo trará desgaste ao Conselho de Ética. “Há um exagero das duas partes. Não precisa ser nem o que o Sérgio defende, nem o que o corregedor quer. Podemos achar um meio-termo. Acho que terça-feira é o dia ideal. Não vamos acelerar desnecessariamente”, sustenta.

Piau surge como candidato à relatoria do caso Paulinho numa forma de ser compensado pelo acordo na eleição de Sérgio Moraes. O deputado do PMDB mineiro almejou a disputa do colegiado, mas preferiu desistir da contenda para favorecer o colega petebista. O pedido de Inocêncio foi encaminhado pelo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), para ser analisado pelo primeiro vice-presidente da Casa, Nárcio Rodrigues (PSDB-MG).

Inocêncio afirma que Moraes infringiu legislação

Supremo abre inquérito

O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu ontem inquérito contra o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical. Segundo informou a agência de notícias Globo, o pedido de investigação foi feito pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, a partir da apuração da Polícia Federal e do Ministério Público em São Paulo na Operação Santa Tereza. Paulinho é acusado pela polícia e pelo Ministério Público de receber propina na intermediação para liberação de empréstimos do BNDES a empresas e prefeituras em São Paulo.

O inquérito será relatado pela ministra Ellen Gracie, que decidirá se aprova ou não as diligências já pedidas por Antonio Fernando para aprofundar as investigações. Em casos como esse, o procurador-geral costuma pedir a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos acusados. O acesso às contas é considerado um mecanismo imprescindível para se checar indícios de recebimento de dinheiro de origem ilegal. Mas, como o caso tramita em segredo de Justiça, a procuradoria e o STF não revelam o conteúdo das decisões judiciais.

Antonio Fernando fez o pedido de abertura de inquérito ao STF na quarta-feira, cinco dias após receber do Ministério Público de São Paulo um CD com um relatório de duas mil páginas sobre a Operação Santa Teresa, da PF. O procurador analisou os documentos e formalizou o pedido de investigação em tempo recorde, para ganhar tempo diante dos rumores de que Paulinho poderia renunciar ao mandato para escapar de um processo de cassação na Câmara.