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País cresce menos no 2º semestre, diz Mantega

LETÍCIA SANDER Folha de S. Paulo DA SUCURSAL DE BRASÍLIA Quase uma semana depois de o Banco Central elevar a taxa básica de juros para controlar a inflação, o ministro Guido Mantega (Fazenda) disse ontem que a economia brasileira deve se desacelerar no segundo semestre, assim como o ritmo de investimentos. Em relação à inflação, o ministro considera que está havendo um "aumento temporário" nos preços, que deve se reverter neste ano. A avaliação de Mantega foi apresentada durante reunião ministerial ontem com o presidente Lula, na qual se discutiu o impacto da alta no preço dos alimentos sobre os índices de inflação. Apesar disso, Mantega e o presidente do BC, Henrique Meirelles, apresentaram estimativas otimistas quanto aos rumos da economia e a capacidade de o país cumprir a meta de inflação, de 4,5%. O ministro José Múcio (Relações Institucionais), num primeiro relato à imprensa, pela manhã, disse que Mantega e Meirelles haviam avalizado, na reunião, o aumento dos juros. "[Em relação] à taxa de juros [fizeram comentários] o ministro Meirelles e o ministro Guido, de que tinha sido necessária. Não foi uma decisão de uma pessoa só, foi de um grupo que administra isso, e necessário para que nós mantenhamos a inflação sob controle", afirmou. Nos bastidores, Mantega e Meirelles rivalizam sobre as formas de combate à inflação. Mantega é um dos críticos ao aumento na taxa de juros. Mais tarde, ante a repercussão de suas declarações, Múcio recuou. Alegou que havia sido mal interpretado e que Mantega não fizera comentários sobre os juros. "O Guido não defendeu aumento de juros para controle da inflação." "Fui mal interpretado, ou me expressei mal. A primeira exposição da manhã foi do ministro Mantega sobre a política econômica do governo, a questão dos alimentos, falou que havia algumas ferramentas no controle da inflação como a poupança, a questão do gasto público. E falei da questão do juro, que na semana passada teve um pequeno aumento (...) e ficou parecendo que o Mantega havia dito, e ele não disse, que o aumento do juro era exatamente para conter a inflação e que era a única ferramenta", disse. Na apresentação, Mantega disse que a alta de três pontos percentuais nos juros projetada pelo mercado contribuiu para a queda nos investimentos. O crescimento da economia será afetado, diz, pela redução na demanda por alimentos ou a sua substituição por causa da queda de 8% no poder aquisitivo da população de baixa renda.

LETÍCIA SANDER
Folha de S. Paulo

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA Quase uma semana depois de o Banco Central elevar a taxa básica de juros para controlar a inflação, o ministro Guido Mantega (Fazenda) disse ontem que a economia brasileira deve se desacelerar no segundo semestre, assim como o ritmo de investimentos. Em relação à inflação, o ministro considera que está havendo um "aumento temporário" nos preços, que deve se reverter neste ano.
A avaliação de Mantega foi apresentada durante reunião ministerial ontem com o presidente Lula, na qual se discutiu o impacto da alta no preço dos alimentos sobre os índices de inflação. Apesar disso, Mantega e o presidente do BC, Henrique Meirelles, apresentaram estimativas otimistas quanto aos rumos da economia e a capacidade de o país cumprir a meta de inflação, de 4,5%.
O ministro José Múcio (Relações Institucionais), num primeiro relato à imprensa, pela manhã, disse que Mantega e Meirelles haviam avalizado, na reunião, o aumento dos juros.
"[Em relação] à taxa de juros [fizeram comentários] o ministro Meirelles e o ministro Guido, de que tinha sido necessária. Não foi uma decisão de uma pessoa só, foi de um grupo que administra isso, e necessário para que nós mantenhamos a inflação sob controle", afirmou.
Nos bastidores, Mantega e Meirelles rivalizam sobre as formas de combate à inflação. Mantega é um dos críticos ao aumento na taxa de juros.
Mais tarde, ante a repercussão de suas declarações, Múcio recuou. Alegou que havia sido mal interpretado e que Mantega não fizera comentários sobre os juros. "O Guido não defendeu aumento de juros para controle da inflação."
"Fui mal interpretado, ou me expressei mal. A primeira exposição da manhã foi do ministro Mantega sobre a política econômica do governo, a questão dos alimentos, falou que havia algumas ferramentas no controle da inflação como a poupança, a questão do gasto público. E falei da questão do juro, que na semana passada teve um pequeno aumento (...) e ficou parecendo que o Mantega havia dito, e ele não disse, que o aumento do juro era exatamente para conter a inflação e que era a única ferramenta", disse.
Na apresentação, Mantega disse que a alta de três pontos percentuais nos juros projetada pelo mercado contribuiu para a queda nos investimentos. O crescimento da economia será afetado, diz, pela redução na demanda por alimentos ou a sua substituição por causa da queda de 8% no poder aquisitivo da população de baixa renda.