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Notícia

A jogada dos governistas

Tiago Pariz Correio Braziliense Partidos da base aliada tentam aprovar projeto que limita manobras contra votação de propostas do interesse do Planalto. Objetivo é reduzir obstruções Sem conseguir agilizar a votação de propostas de interesse do governo na Câmara, líderes da base aliada se movimentam para desenterrar um projeto que visa a dificultar a vida dos partidos adversários no plenário. A idéia de alterar o Regimento Interno da Casa surge num momento em que os governistas esbarram nas manobras da oposição para concluir a recriação da CPMF. O projeto foi discutido em reunião da Mesa Diretora em setembro do ano passado justamente quando a votação da prorrogação do imposto do cheque vinha sendo protelada por conta da obstrução. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), determinou que a Secretaria-Geral elaborasse um texto e, em novembro, o projeto foi distribuído aos líderes, mas acabou esquecido por falta de apoio e consenso. A brecha deixada pela janela sem medidas provisórias serviu como desculpa para a proposta ganhar novamente força entre os governistas. O objetivo agora é reapresentar o projeto com apoio da maioria dos líderes aliados. A idéia é colocar a proposta em votação antes de julho. E para reduzir as resistências às alterações, o governo quer vender a iniciativa como uma forma de modernizar o Regimento da Câmara e garantir celeridade às propostas defendidas pela sociedade. A tese de que é uma forma de atropelar a oposição é rejeitada. “Hoje, as votações são muito lentas o que contribui com a imagem desgastada da Câmara”, justificou o líder do PT na Casa, Maurício Rands (PE). Mas o Palácio do Planalto não esconde a insatisfação com a tática oposicionista. Tanto que a idéia era votar a modificação no Regimento em maio quando foi aberta a primeira janela sem votação de MPs trancando a pauta. O projeto modifica 22 artigos do Regimento Interno. “Têm sido repetitivas as estratégias regimentais utilizadas pelos diversos partidos e bancadas para influir no andamento dos trabalhos do plenário, com o objetivo de alargar o tempo de apreciação das matérias. A forma clássica de obstrução parlamentar, garantida regimentalmente, não tem sido empregada adequadamente”, consta da proposta. Destaques Para reduzir o tempo de apreciação, o projeto limita encaminhamento de votação somente à proposta principal e aos destaques, acaba com discussão e votação parcial, e impede apresentação de requerimento de votação nominal. Além disso, restringe pedidos de adiamento da apreciação. A proposta também trata de outros temas, como comunicações parlamentares, requerimentos com voto de pesar e apresentação de emendas aglutinativas. A justificativa termina da seguinte maneira: “Acreditamos que as modificações propostas constituem ações concretas e efetivas para a melhoria na qualidade dos trabalhos da Casa e, por esta razão, contamos com o apoio dos ilustres pares para sua aprovação”. A votação do texto básico da Contribuição Social para a Saúde (CSS) foi arrastada e adiada diversas vezes por conta da obstrução e dos protestos organizados pela oposição. Para finalizar os trabalhos é preciso votar ainda quatro destaques. Um deles retira do projeto de lei o artigo que define a base de cálculo do novo tributo, o que torna a CSS inócua. E para dar seqüência à votação é necessário votar uma medida provisória que tranca a pauta. A MP trata de tributação do setor de álcool. Como há um item antes da conclusão da CSS, a oposição pode deitar e rolar com os instrumentos de obstrução e trabalhar para inviabilizar a votação dos destaques da nova CPMF. Confira a íntegra do projeto “Iniciativa irresponsável” A oposição promete dificultar a aprovação do projeto de resolução que altera o Regimento Interno da Câmara e assim reforçar os obstáculos para o governo concluir a votação da nova CPMF. “O PSDB vai lidar como sempre lidou com esse tipo de assunto, trabalhando para assegurar amplamente a liberdade de opinião da minoria na Câmara e no Senado”, afirmou o líder tucano na Câmara, deputado José Aníbal (SP). A iniciativa dos governistas de tentar desenterrar o projeto que limita o instrumento da obstrução de pauta foi classificada como irresponsável. “Qualquer tentativa irresponsável para cercear o direito de manifestação não passa. E esse governo está desidratado na Câmara e sabe que se apresentar a proposta vai perder, como quase perdeu a votação da CSS”, disse Aníbal. “Essa medida tem um viés autoritário do PT. E vamos impedir qualquer manobra de adulteração do regimento”, acrescentou. O regimento da Câmara dos Deputados já foi alterado em 1996, quando a Casa era comandada pelo ex-deputado Luis Eduardo Magalhães. As modificações visaram a limitar o número de destaques apresentados por um grupo de parlamentares. A idéia surgiu numa resposta ao lento processo de votação da emenda constitucional da Previdência que, na época, levou três meses para passar pela Câmara.

Tiago Pariz
Correio Braziliense

Partidos da base aliada tentam aprovar projeto que limita manobras contra votação de propostas do interesse do Planalto. Objetivo é reduzir obstruções

Sem conseguir agilizar a votação de propostas de interesse do governo na Câmara, líderes da base aliada se movimentam para desenterrar um projeto que visa a dificultar a vida dos partidos adversários no plenário. A idéia de alterar o Regimento Interno da Casa surge num momento em que os governistas esbarram nas manobras da oposição para concluir a recriação da CPMF.

O projeto foi discutido em reunião da Mesa Diretora em setembro do ano passado justamente quando a votação da prorrogação do imposto do cheque vinha sendo protelada por conta da obstrução. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), determinou que a Secretaria-Geral elaborasse um texto e, em novembro, o projeto foi distribuído aos líderes, mas acabou esquecido por falta de apoio e consenso.

A brecha deixada pela janela sem medidas provisórias serviu como desculpa para a proposta ganhar novamente força entre os governistas. O objetivo agora é reapresentar o projeto com apoio da maioria dos líderes aliados. A idéia é colocar a proposta em votação antes de julho.

E para reduzir as resistências às alterações, o governo quer vender a iniciativa como uma forma de modernizar o Regimento da Câmara e garantir celeridade às propostas defendidas pela sociedade. A tese de que é uma forma de atropelar a oposição é rejeitada. “Hoje, as votações são muito lentas o que contribui com a imagem desgastada da Câmara”, justificou o líder do PT na Casa, Maurício Rands (PE).

Mas o Palácio do Planalto não esconde a insatisfação com a tática oposicionista. Tanto que a idéia era votar a modificação no Regimento em maio quando foi aberta a primeira janela sem votação de MPs trancando a pauta.

O projeto modifica 22 artigos do Regimento Interno. “Têm sido repetitivas as estratégias regimentais utilizadas pelos diversos partidos e bancadas para influir no andamento dos trabalhos do plenário, com o objetivo de alargar o tempo de apreciação das matérias. A forma clássica de obstrução parlamentar, garantida regimentalmente, não tem sido empregada adequadamente”, consta da proposta.

Destaques
Para reduzir o tempo de apreciação, o projeto limita encaminhamento de votação somente à proposta principal e aos destaques, acaba com discussão e votação parcial, e impede apresentação de requerimento de votação nominal. Além disso, restringe pedidos de adiamento da apreciação. A proposta também trata de outros temas, como comunicações parlamentares, requerimentos com voto de pesar e apresentação de emendas aglutinativas.

A justificativa termina da seguinte maneira: “Acreditamos que as modificações propostas constituem ações concretas e efetivas para a melhoria na qualidade dos trabalhos da Casa e, por esta razão, contamos com o apoio dos ilustres pares para sua aprovação”.

A votação do texto básico da Contribuição Social para a Saúde (CSS) foi arrastada e adiada diversas vezes por conta da obstrução e dos protestos organizados pela oposição. Para finalizar os trabalhos é preciso votar ainda quatro destaques. Um deles retira do projeto de lei o artigo que define a base de cálculo do novo tributo, o que torna a CSS inócua.

E para dar seqüência à votação é necessário votar uma medida provisória que tranca a pauta. A MP trata de tributação do setor de álcool. Como há um item antes da conclusão da CSS, a oposição pode deitar e rolar com os instrumentos de obstrução e trabalhar para inviabilizar a votação dos destaques da nova CPMF.

Confira a íntegra do projeto 
 
“Iniciativa irresponsável”
A oposição promete dificultar a aprovação do projeto de resolução que altera o Regimento Interno da Câmara e assim reforçar os obstáculos para o governo concluir a votação da nova CPMF. “O PSDB vai lidar como sempre lidou com esse tipo de assunto, trabalhando para assegurar amplamente a liberdade de opinião da minoria na Câmara e no Senado”, afirmou o líder tucano na Câmara, deputado José Aníbal (SP).

A iniciativa dos governistas de tentar desenterrar o projeto que limita o instrumento da obstrução de pauta foi classificada como irresponsável. “Qualquer tentativa irresponsável para cercear o direito de manifestação não passa. E esse governo está desidratado na Câmara e sabe que se apresentar a proposta vai perder, como quase perdeu a votação da CSS”, disse Aníbal. “Essa medida tem um viés autoritário do PT. E vamos impedir qualquer manobra de adulteração do regimento”, acrescentou.

O regimento da Câmara dos Deputados já foi alterado em 1996, quando a Casa era comandada pelo ex-deputado Luis Eduardo Magalhães. As modificações visaram a limitar o número de destaques apresentados por um grupo de parlamentares. A idéia surgiu numa resposta ao lento processo de votação da emenda constitucional da Previdência que, na época, levou três meses para passar pela Câmara.