
O Brasil chega ao segundo turno das eleições presidenciais diante de uma escolha que terá consequências profundas para o futuro do país, para a democracia e para os direitos dos trabalhadores. Como representantes de servidores e servidoras, temos a responsabilidade de avaliar essa disputa à luz dos interesses da categoria que representamos.
É com esse espírito, sem abrir mão da nossa independência e da capacidade de cobrar qualquer governo, que a diretoria da FUPESP manifesta seu posicionamento em defesa da reeleição do presidente Lula e da derrota da extrema-direita.
Essa escolha envolve uma questão fundamental: não existe soberania nacional sem nosso trabalho nas estruturas públicas municipal, estadual e federal.
É necessário reconhecer os avanços concretos obtidos pelos trabalhadores nos últimos quatro anos. A ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais, a retomada da política de valorização real do salário mínimo e a aprovação da Lei de Igualdade Salarial entre Mulheres e Homens representam conquistas importantes.
No plano internacional, a atuação brasileira nas discussões da Organização Internacional do Trabalho sobre os direitos dos trabalhadores da categoria reforça que nossos direitos não podem ser retirados e as relações de trabalho precarizadas.
Apoiamos a redução da jornada e o fim da escala 6×1 com melhores salários, jornadas menores e mais qualidade de vida.
Não podemos esquecer as tentativas de golpes sofridos durante o governo Bolsonaro. O movimento sindical foi alvo de uma política de enfraquecimento que estimulou setores patronais a questionar direitos, dificultar negociações e tentar retirar conquistas asseguradas em nossa Convenção Coletiva. Sentimos na pele os efeitos dessa orientação política com políticas agressivas como o Descongela Já, a PEC 32 e a (des)reforma administrativa.
A Constituição de 1988 assegurou direitos fundamentais, como férias remuneradas, décimo terceiro salário, limites à jornada e proteção aos trabalhadores. São conquistas civilizatórias que não podem ser colocadas em risco sob hipótese alguma. Também não podemos admitir a normalização do racismo, da misoginia, da intolerância e de qualquer forma de discriminação.
A continuidade do governo Lula oferece condições mais favoráveis à defesa dos direitos trabalhistas, ao diálogo social e à construção de um projeto nacional de desenvolvimento tecnológico e industrial, com respeito ao serviço público.
Nossa independência permanece inegociável. Nossa disposição de cobrar, negociar e lutar pelos trabalhadores também.
O movimento sindical brasileiro conquistou direitos enfrentando autoritarismos, resistindo a retrocessos e defendendo a democracia. Não podemos abrir mão dessa história.
No dia 25 de outubro, defendemos o voto pela democracia, pela soberania nacional e pelos direitos dos trabalhadores. Por um Brasil desenvolvido, justo e soberano e pela derrota da extrema-direita, nossa posição é pela reeleição do presidente Lula.
Damázio Sena • presidente da FUPESP
